Em um discurso marcado por forte emoção e indignação, a vereadora Ninha Professora (PSB) utilizou a tribuna durante a 4ª reunião ordinária do 1º período legislativo para denunciar o crescimento da violência contra a mulher. Através da leitura de uma poesia impactante e do relato de casos recentes, a parlamentar convocou a sociedade e o poder público a uma ação imediata.
“Hoje Recebi Flores”: O Ciclo do Abuso
A vereadora iniciou sua fala com a leitura do poema “Hoje Recebi Flores”, que narra a trágica progressão da violência doméstica. O texto descreve como pedidos de desculpas e presentes — como flores — são usados para mascarar agressões que escalam de ofensas verbais a agressões físicas, culminando no assassinato da vítima.
“Se tivesse pedido ajuda profissional, hoje não teria recebido flores”, recitou a vereadora, visivelmente emocionada ao destacar que o poema reflete a realidade de muitas mulheres que morrem à espera de uma mudança que nunca chega.
Indignação com Casos Recentes
Ninha Professora lamentou que o mês de março, que deveria ser de celebração pelas conquistas femininas, tenha sido manchado por crimes brutais. Ela citou o caso de uma adolescente de 17 anos estuprada por três homens, além da crescente banalização do feminicídio no estado e no país.
A parlamentar foi enfática ao criticar a dependência emocional e financeira que muitas vezes aprisiona as mulheres em ciclos de violência.
“Me deixa triste quando uma mulher diz que não pode deixar o marido porque ele sustenta a casa, enquanto ela apanha”
Desabafou.
Convocação para Ação Coletiva

Para a vereadora, o combate ao feminicídio não deve ser uma luta isolada das mulheres. Ela defendeu a união de forças entre homens e mulheres e cobrou uma atuação mais rigorosa das instituições:
- União de Forças: “Os homens têm que se unir às mulheres contra o feminicídio. Pela força física, eles são mais fortes, por isso precisamos lutar juntos”.
- Políticas Públicas: A vereadora exigiu que a Secretaria da Mulher de Gravatá trabalhe de forma efetiva contra esses absurdos.
- Rigor Legislativo: Ninha defendeu a necessidade de lutar por políticas públicas que garantam segurança e autonomia para as vítimas.
O discurso foi encerrado sob aplausos, com um apelo para que a sociedade não se cale diante da barbárie e que o respeito à vida das mulheres seja a prioridade absoluta da agenda política local.