As chuvas recentes que atingiram a cidade de Gravatá, no Agreste de Pernambuco, voltaram a expor um problema antigo e desgastante para quem vive ou transita pelo Centro da cidade. A Rua Hilda Gonzales, localizada no bairro Boa Vista, nas proximidades do conhecido Pontilhão, transformou-se em um verdadeiro rio, gerando transtornos e indignação entre os moradores e comerciantes locais.
Vídeos gravados por populares e enviados à nossa redação mostram a dimensão do descaso. Nas imagens, é possível ver um grande volume de água barrenta tomando conta de toda a via, dificultando a passagem de pedestres e forçando veículos — incluindo caminhões e vans de entrega — a trafegarem lentamente.
O avanço da água e o lixo acumulado
O cenário é de apreensão. A força da correnteza não se limitou ao asfalto; a enxurrada invadiu calçadas, superou degraus e começou a entrar em áreas de garagem e estabelecimentos comerciais. Diversos objetos, sacos plásticos e garrafas PET são vistos sendo arrastados pela água.
O principal agravante do alagamento, segundo as imagens e as denúncias, é a falta de manutenção do sistema de drenagem. Um dos registros mostra, de forma clara, a grade de um bueiro de escoamento completamente entupida por uma densa barreira de lixo, folhas e restos de materiais recicláveis, impossibilitando que a água da chuva desça para as galerias.
“A gente não tem sossego”
A sensação de impotência é a tônica entre os residentes, que relatam que o problema está longe de ser um fato isolado. Durante as gravações, o desabafo de uma moradora que teve a entrada de casa alagada ilustra a exaustão da comunidade:
“É um absurdo, minha gente. A gente não tem sossego mais não. Toda vez é isso. Me diga: toma uma providência, ninguém resolve nada. Toda vez a gente passa por essa situação, sem poder sair pra levar um menino pra escola”
Lamenta a cidadã enquanto filma a água invadindo seu espaço.
Outro relato no vídeo aponta que, assim que as galerias entopem, todo o lixo é arrastado de volta para as calçadas, piorando ainda mais a situação sanitária e de mobilidade no local. Pessoas com guarda-chuvas aparecem ilhadas em partes mais altas das calçadas, sem ter como atravessar a rua.
Cobrança por providências urgentes
Diante do caos registrado, os moradores e comerciantes da Rua Hilda Gonzales e arredores do Pontilhão fazem um apelo urgente e cobra ações imediatas do poder público municipal.
Os moradores exigem que a Prefeitura de Gravatá, através de sua Secretaria de Obras e Serviços Públicos, realize a limpeza em caráter de urgência de todos os bueiros e galerias da região. Além da ação emergencial, a população pede um projeto definitivo de drenagem para a área, garantindo o direito básico de ir e vir, a segurança do patrimônio dos comerciantes e a paz das famílias durante o período chuvoso.