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História de Mandacaru

MANDACARU está localizado no Agreste Pernambucano, onde se encontra no Vale do Ipojuca, devido às características climáticas desta região, situada a oeste do Município de Gravatá. O Distrito de Mandacaru fica a 12 km da sede do município, têm como data de fundação 27 de abril de 1924 sendo elevado a Distrito pela lei municipal 300 de 18 de abril de 1955, é constituído pela Vila de Mandacaru e 30 sítios.

Desde então ao longo de sua história política o Distrito foi representado no poder Legislativo por oito vereadores e no poder Executivo foi administrado por vinte e um subprefeitos. Atualmente nossa população tira seu sustento do comércio, da agricultura, da floricultura, da pecuária, como funcionários públicos e funcionários na rede hoteleira.

As características rurais são presentes desde a forte presença da Igreja Católica como mantedora dos hábitos da cultura local onde a vida da população tem uma estreita ligação a devoção a São José que surge com a fundação desta comunidade, celebrando sua primeira festa dedicada ao Santo no dia 27 de abril de 1924. Segundo o relato dos antigos, a imagem que veio em procissão para este chão, foi doada por Jovenal Camelo, que na época alcançou uma graça, pois se encontrava doente e recorreu ao patrocínio de São José e sendo atendido promete doar a imagem do Santo para nova igreja.

Tudo que sabemos sobre a História da comunidade foi levantado por pesquisa realizada pelo professor de Filosofia José Eudes da Silva que fez todo um estudo histórico, geográfico, político e social do Distrito e seu objeto de pesquisa de dados históricos foi através do arquivo pessoal de Jaime Batista da Silva que possui uma cópia do relato da Fundação de Mandacaru narrada de acordo com o original escrito por dona Leopoldina Maria de São José (historiadora de Mandacaru), que foi aluna de dona Sinhazinha primeira Professora e também exerceu a profissão de professora por muitos anos aqui em Mandacaru. Faleceu em um domingo 23 de fevereiro de 1992. Segue o texto que narra o surgimento da então Vila de Mandacaru, localidade que posteriormente deu nome ao Distrito.

Fundação de Mandacaru

O Distrito de Mandacaru no início do século XX só existia um matagal intenso, o senhor Minervino Correia que morava ao lado esquerdo da margem da estrada onde fica a igreja de São José, depois construiu uma casa em 1918 para funcionar uma escola, pois aqui não havia aula para os filhos e os mesmos deslocavam-se pra o Sítio Prianas onde morava um professor.

No termino de 1923 a área que existia muito mato também existia muitos pés de mandacarus (planta da família das cactáceas), na margem da estrada que liga de Uruçu Mirim a Gravata os caminhos dividia-se em dois, a direita do lado sul pelo Sítio Urtigas chamada por estrada de dentro, à esquerda ao lado norte pelo Sítio Várzea da Madeira conhecida por estrada de fora, neste local da divisão tinha uma venda que pertencia ao Senhor José Batista de Souza Lima (José Lú) e a margem direita tinha uma casa que era a residência dele.

Também ao lado direito onde segue o caminho da Serra da Mapirunga foi construída uma casa pelo senhor Manoel Jasmilino para colocar uma venda, mas não deu certo, ele acabou a venda e foi morar no Recife.

No início de 1924 o Cônago Américo Pita vindo de Uruçu Mirim à cidade de Gravatá parou na casa do Senhor José Batista para descansar, e em conversa, ele disse: “Que lugar bom para se construir uma Capela e um povoado e quem sabe depois passaria a Vila, mais tem uma venda: não é possível“, o Senhor José Batista homem muito religioso disse ao Padre: “Quer, pode confiar que será feita, só é demolir esta casa e construir outra junto da minha casa“, o Padre disse: “Não é preciso demolir a casa é só altear as paredes e fazer atrás o lugar da sacristia, para começo e depois faria uma Igreja“.

Ele ou outro padre se encarregaria disso, ele até esperava que construísse um povoado e que depois passaria a Vila. Daí por diante o povo tornaram gosto, juntaram-se aos senhores Paulino Paz. Neco Paulino. José Batista, João Batista João Pipiu, Joaquim Pipiu, Minervino Correia, Manuel Ferreira e mais algumas pessoas, que quiseram ajudar a derrubar o mato que tinha na margem da estrada do lado de cima. Por razão de existir muitos pés de mandacarus a planta deu origem ao lugar. Em pouco tempo o lugar estava bem tratado e em um domingo 27 de abril de 1924 às 10 horas da manhã dia muito chuvoso chegou em procissão a Imagem de São José que veio da cidade de Gravata à Mandacaru, a inauguração foi um dia festivo construíram uma barraca grande coberta com folhas de coqueiro para vender café e bebidas.

O povo estava satisfeito que não sentia a chuva, às 11 horas foi celebrada uma missa, o padre passou o dia e a noite rezou o terço e encerrou com um sermão, que falou sobre São José que é Pai adotivo de Jesus Cristo e esposo de Maria Santíssima. A noite na festa teve dois poetas que eram Severino Milanês e João Magro, ambos residentes no Sítio Riachão eles animaram com poesias e também houve uma banda de Pífano, até o Padre assistiu as festividades que foi até dia seguinte. As primeiras casas construídas foram: pelo senhor Honório Peixoto onde botou loja e miudeza, Senhor Moisés também construiu outra casa com dois compartimentos, um para loja e outro para venda, Senhor Manuel Ferreira construiu mais duas casas.

A 7 de setembro do mesmo ano foi inaugurada a Primeira feira, os primeiros marchantes foram: José Bispo, João Bispo e Severino do Egito. Em Novembro de 1926 foi inaugurada a estrada de rodagem. Os primeiros proprietários de Caminhão foram: Seu Moisés e Francisco da Onça. De automóvel: António Ford e Severino Ford, Também Luís de Seu Moisés. E em 10 de maio de 1927 chegou a primeira Professora Pública Dona Elisa Lins de Andrade (Dona Sinhazinha).

Hino de Mandacaru

Salve terra dos mandacarus
Admirável magnitude
Onde a fé conduz
À nossa juventude

No passado eras mito
No futuro esperança
Com o sol infinito
O teu povo avança

És sentinela do agreste
Que originou o ideal
A nossa terra o nome deste
Nossa história tornou-se real

Foi um Padre seu fundador
Homem de fé da nossa História
São José nosso protetor (bis)
Derrama sobre nós sua glória.

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